No incêndio da Cultura, da História e do próprio Brasil, todos nós já contribuímos com nossa faísca.

A dor e a tristeza da destruição são quase inevitáveis. Mas tanto na vida individual quanto na vida coletiva devemos sempre observar os acontecimentos, inclusive as tragédias, de modo a extrair os seus ensinamentos.

A consternação e o luto quanto ao Museu Nacional me trazem quatro importantes lições.

Um: Não deixe para depois aquela visita ao museu, ao parque, ao jardim botânico, ao zoológico, talvez possa ser a última vez possível do seu olhar perceber as belezas e os detalhes desses lugares.

Dois: Às vésperas de eleições gerais, a necessidade de propagar aos quatro cantos os conhecimentos sobre a História do Brasil para que sejam evitadas opções que já se mostraram terríveis ou que queiram reavivar tempos sombrios esquecidos ou deturpados pela ignorância.

Três: Que a raiva e o ressentimento são como fogo em um incêndio, capazes de destruir com rapidez o que se construiu durante anos e anos.

Quatro: Que a pouca importância que o Estado e a sociedade dão à sua História retrata a falta de preocupação na criação de uma nação próspera o que explica muito de nossos resultados negativos. Perguntas tais como “quão incompetente é um governo que não consegue prover um eficiente sistema anti-incêndio em um importante museu” ou “como não há um programa rápido e efetivo de combate a incêndios em locais como esse” devem vir acompanhadas de outras: “qual foi a última vez que visitei um museu”, “qual foi a última vez que doei algum dinheiro ou bem para o museu”, “qual foi a última vez que programei uma viagem com base na existência de museus”, “qual foi a última vez que perguntei a um candidato a deputado qual prioridade aos museus que seria dada na votação do orçamento”.

No incêndio da Cultura, da História e do próprio Brasil, todos nós já contribuímos com nossa faísca.

Em 7 de outubro, na maquininha secreta você colocará mais uma brasa, um copo d’água ou um tijolo?

E no próximo feriado?

Você vai dormir, organizar um churrasco ou vai com a família num museu?

Antonio Carlos de Freitas Júnior

 

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